sexta-feira, 15 de maio de 2026

A anti-Nakba: o espírito de Gaza em resposta ao genocídio.



Yasser Jamil Fayad –

Médico pediatra, poeta, escritor e doutorando em História.

Hoje, faz 78 anos da Nakba, a maior tentativa de destruição do povo palestino e também a marca de nascença do Estado de Israel. Muito já foi escrito sobre o período e o território da Nakba, a grande catástrofe planejada contra o povo palestino, que levou a expulsão forçada de seu território milenar de cerca de 700 mil habitantes – metade da população originária à época. Os livros acadêmicos, literatura, artigos, entrevistas, documentários, filmes etc. giram principalmente tendo no horizonte a perspectiva do colonizador, ou seja, da criação do Estado de Israel. Assim, aquele tempo e espaço são reconstruídos e representados como um momento de festividade dos judeus sionistas e, mesmo, de certo alívio para o ocidente político em especial, para a Europa, pois se tratava de uma “compensação”, a sua moda é claro, pelos horrores da Segunda Grande Guerra. Realizado como veremos à custa de outros horrores, contra outras pessoas, que nada tinham a ver com os acontecimentos em Europa – eis à moda europeia. O significado é restrito, desta forma, a vitória do projeto colonizador e a nascente de um Estado que, permanentemente, iria impor a todo aquele espaço geográfico e a sua vizinhança seu domínio, como um pedaço do ocidente político transposto no coração da região do levante. Os palestinos são nessas versões, da historiografia oficial dos vencedores, "o negativo", aquilo que se quer esconder, ocultar, negligenciar, ignorar... todavia antes de jogarmos luz sobre os horrores sofridos, no passado e no presente, pela única população originária da Palestina é necessário fazer algumas observações.

A primeira delas diz respeito ao holocausto, na medida em que se questiona comumente como a vítima, na Europa, tornou-se algoz, na Palestina, em um período tão curto de tempo? A pista para responder esta questão está a meu ver em Aimé Césaire, no seu fabuloso "Discurso sobre o Colonialismo". Para aquelas pessoas, que fizeram e festejaram a Nakba, o holocausto não se constituiu em um crime universal, isto é, para toda a humanidade, mas sim, em um crime particular "inaceitável". No qual europeus praticavam métodos horríveis de morte e tortura, aceitáveis e toleráveis apenas para os povos colonizados (não europeus), contra outros europeus – eis “o” crime, incluindo os de crença religiosa distinta, como os europeus que professavam o judaísmo. Os horrores sempre foram "aceitáveis" quando foram feitos contra outros povos em África, Oceania, Ásia e nas Américas. Desta forma, podemos compreender como foi possível a passagem do holocausto, na Segunda Grande Guerra, para a produção deliberada de horrores similares contra os palestinos na Nakba.

A segunda está intimamente ligada a primeira e diz respeito a um processo característico da colonização, qual seja, a desumanização do outro (não europeu) como algo "aceitável" e “desejável”. As descrições, na história oficial israelense e de muito dos seus cúmplices, subtraem do tempo e espaço da Nakba a presença do outro (o palestino) e de seu sofrimento físico e psíquico. A Palestina é apresentada como um espaço vazio ou pouca habitada por indivíduos (e não um povo!) que não pertenceriam aquele território. Sendo comum a acusação de que os palestinos seriam na verdade egípcios, ou iraquianos ou árabes da Península Arábica, mas não originários da Palestina... pior ainda, os colonizadores que chegavam de Europa seriam os “legítimos donos” da terra. Esta negação da dignidade do outro é fundamental para alicerçar as bases de um projeto colonizador que visa o extermínio físico, cultural (material e imaterial), arqueológico do povo colonizado. Ao retirar a humanidade dos palestinos, ao negar sua história naquele território é possível praticar os horrores de morte e tortura como os realizados na Nakba.

A Nakba foi uma tentativa de destruição do tecido social palestino através do desespero ocasionado pelos assassinatos, massacres, estupros, expulsões, bombardeios, incêndios etc. O que se desejava era o rompimento das relações de sociabilidade dos palestinos e de sua ligação ancestral com seu território. Na equação do colonizador, os palestinos se tornariam uma espécie de “árabe genérico” passível de se difundir e diluir nos países árabes circunvizinhos. Seria esse, o desejado e planejado, fim do povo palestino.

Os resultados devastadores que tal evento teve sobre o tecido social palestino foi tamanho que, no fundo recriou um "novo palestino". Os efeitos da diáspora, campos de refugiados e suas condições precárias de vida, fome, sede, frio, tendas da agência de refugiados da ONU, desemprego, mortalidade elevada, falta de medicamentos etc. e a vontade de retomar à Palestina fez com que as novas gerações pós-Nakba saíssem da condição passiva do sofrimento de seus pais e avós, para uma condição ativa de luta de libertação nacional. Esse "novo palestino", muitos sem nunca terem visto a Palestina, doaram suas vidas a uma legítima e nobre causa. Ajudaram a construir um legado de luta transmitido para as outras gerações... da qual a Gaza, de hoje, com uma população de 70% de refugiados é uma das signatárias dessa herança como é Jenin, Nablus, Hebron, Qalandiya etc. A Gaza pré-Nakba se transformou e seu povo mais ainda... reconstruídos pela luta contínua com suas derrotas, vitórias, sofrimentos etc. Este “espírito” está em toda a Palestina e tem na Faixa de Gaza sua maior expressão, na atualidade, por isso o chamo de “espírito de Gaza”. 

Todavia é preciso reconhecer que a Nakba gerou tensões entre as gerações subsequentes de palestinos e aqueles que a viveram – como ferida aberta produziu mais dores. Alguns jovens do passado não aceitavam que seus pais tivessem saído da Palestina... “deveriam ter morrido lutando por ela”. Muitos lutaram e morrem, muitos recuaram e voltaram a lutar logo em seguida, e é também verdade que muitos daqueles que viveram tal tragédia planejada achavam, ingenuamente, que aquilo tudo logo passaria e que retornariam para suas vidas normais. Levaram as chaves das portas na esperança de logo voltarem, hoje, símbolo da diáspora e desejo de retorno. Ghassan Kanafani explora parte dessa tensão em seu romance “Retorno a Haifa”, obra em que os pais são levados pelas circunstâncias dramáticas de violência a deixarem para trás um filho. O clímax da obra é este reencontro de uma criança criada por colonos europeus, que se torna soldado israelense, e seus pais biológicos palestinos. Nesta obra literária que foi adaptada para o teatro, Said, personagem que fora o pai jovem na Nakba, em um tom de desabafo e angústia (na versão teatral), diz a sua mulher anos depois: "Não deveríamos ter ido embora". Não obstante, o estado de inferioridade militar produzido contra os palestinos, principalmente pelo Mandato Britânico, à época, mantendo-os com poucas e obsoletas armas com a finalidade de se tornarem vítimas fáceis, na Nakba, de grupos judaicos terroristas, bem treinados e equipados, que se transformariam logo depois no exército regular israelense... a despeito disso tudo... a lição histórica que ficou foi: nunca sair da Palestina!

Passados anos, os palestinos especialmente da Faixa de Gaza, sofreram mais uma vez os horrores da morte e da tortura. O primeiro genocídio com imagens instantâneas, de fotos e vídeos da história da humanidade, certamente marcou e marcará definitivamente o século XXI. As explosões, incêndios, corpos mutilados, crianças assassinadas, hospitais e ambulâncias como alvos, jornalistas assassinados, escolas destruídas, refúgios de civis bombardeados, massacres de palestinos famintos à procura de comida, destruição de infraestruturas civis, prisões em massa, uso deliberado de fome e sede com armas de guerra etc. ao mesmo tempo, com festas de colonos judeus diante dos massacres aos palestinos, imagens de soldados estuprando civis palestinos e depois sendo libertados, soldados saqueando as casas palestinas invadidas, imagens de jovens israelenses ridicularizando as vítimas palestinas e seus sofrimentos em mídias sociais, as arquibancadas construídas por israelenses para assistirem com binóculos os bombardeios em Gaza, apoio nas pesquisas de opinião da população israelense ao genocídio, declarações de altos cargos do governo israelense em favor do genocídio etc. ainda estão sendo processados no mundo afora através de livros, filmes, literatura, palestras, debates etc. Ainda que o impacto concreto de mais este horrendo evento planejado contra os palestinos não esteja totalmente claro, o que vimos, foi definitivamente a morte do mito da "eterna vítima", construído em torno dos judeus europeus após o holocausto, em simultâneo, da moralidade política liberal do ocidente e de seus organismos internacionais.

O genocídio de cerca de 65 mil pessoas de forma direta e estimado entre 150 mil a 300 mil, incluindo as formas indiretas como falta de medicamentos, cirurgias, diálises renais, quimioterapias, alimentos, água potável etc., tinha a cristalina intenção de produzir uma nova Nakba. Diante das formas modernas de guerra e seus instrumentais mais destrutivos seria novamente possível produzir o desespero através de assassinatos, massacres, estupros, expulsões, bombardeios, incêndios etc. Conjuntamente, de levar a fragmentação política interna pela delação e entrega dos guerrilheiros palestinos, como se os que lutam e resistem fossem “os culpados” e, não, a colonização judaica. A esperança judaica sionista era levar a população da Faixa de Gaza a se desfazer e, por fim, abandonar o seu território milenar em direção ao Egito. Para tanto, a população era deslocada sob bombardeios do norte da Faixa de Gaza, local mais populoso, para o sul da Faixa de Gaza, na fronteira com Egito. As cenas de horrores, assassinatos e torturas são chocantes durante todo esse período, contudo a resposta não foi a almejada pelo colonizador. 

Décadas de lutas, resistências, resiliências, formações políticas, debates internos, organizações populares, obras literárias reflexivas (como a de Ghassan Kanafani), poesias de combate, encontros com outras experiências anticolonialistas, avaliações e reavaliações táticas, assembleias etc. formaram um povo distinto daquele de 1948. Um povo mais experimentado, mais consciente de si mesmo, seus aliados e inimigos – um povo forjado na luta! Os palestinos marcharam mais de 30 km, em direção ao norte da Faixa de Gaza, território sabidamente sem água, alimentos, moradia, estruturas hospitalares e de saúde, estruturas educacionais etc., tampouco traíram os seus guerrilheiros denunciando sua presença ou sabotando a luta. Foi como se Gaza estivesse respondendo firmemente ao passado da Nakba e ao presente do genocídio, dizendo, em alto e bom-tom: "Nunca sairemos da Palestina e continuaremos a lutar!"

Eis o espírito de Gaza, que sintetiza o melhor da longa história de luta do povo palestino, diante do genocídio sua resposta foi o da anti-Nakba!

Da certeza de que nunca mais ocorrerá outra Nakba.

É também este espírito, que se espalha e anima a luta de tantos outros povos... hoje, ele está também no Irã e Líbano.

15 de maio de 2026.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

RETIFICAÇÃO Convocação Assembleia Geral Extraordinária 06/26 HÍBRIDA – 11/05/26

RETIFICAÇÃO Convocação Assembleia Geral Extraordinária 06/26 HÍBRIDA – 11/05/26

A Executiva do SINDTAE RETIFICA a Convocação Assembleia Geral

Extraordinária 06/26 HÍBRIDA – 11/05/26. 

ONDE SE LÊ: 

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b) Videoconferência na sala virtual do SINDTAE (no link: Sala Virtual SINDTAE)

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OBSERVAÇÃO: A participação on-line deve ser realizada com o e-mail

institucional, para resguardarmos a segurança do evento.

LEIA-SE: 

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b) Videoconferência na sala virtual do SINDTAE

(no link: https://bbb.c3sl.ufpr.br/rooms/3s9-lr8-wru-so7/join)

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OBSERVAÇÃO: A participação on-line deve ser realizada inserindo o

nome completo e utilizando a palavra chave: Código de Acesso: ibohyk


Chapecó, 07 de maio de 2026.

Executiva do SINDTAE


quarta-feira, 6 de maio de 2026

Convocação Assembleia Geral Extraordinária 06/26 HÍBRIDA – 11/05/26

A Executiva do SINDTAE convoca os(as) trabalhadores(as) técnico-administrativos(as) em educação de universidades federais nas cidades de Chapecó, Estado de Santa Catarina, Cerro Largo, Erechim e Passo Fundo, Estado do Rio Grande do Sul, Laranjeiras do Sul e Realeza, Estado do Paraná para ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA 06/26 HÍBRIDA a realizar-se no dia 11 de MAIO de 2026, SEGUNDA-FEIRA, às 13h45min em primeira chamada com presença de mais de 50% (cinquenta por cento) dos sindicalizados ou 14h em segunda chamada com o número de presentes, conforme previsão do estatuto da entidade, a ser realizada nos seguintes locais:

a) Auditório do Bloco A do Campus Chapecó; 

b) Videoconferência na sala virtual do SINDTAE (no link: https://bbb.c3sl.ufpr.br/rooms/3s9-lr8-wru-so7/join)

A Assembleia Geral Extraordinária 06/26 deliberará sobre a seguinte ORDEM DO DIA:

i. Informes 

1 -  Eleição de delegados do SINDTAE Fronteira Sul para a Plenária Nacional Geral da FASUBRA Sindical, a realizar-se no dia 16 de maio de 2026, em formato virtual, de 9 às 18h, para deliberar sobre os seguintes pontos de pauta: 1) Informes; 2) Prorrogação do Mandato da atual Direção e do Conselho Fiscal em face de caso fortuito 3) Encaminhamentos. (EDITAL DE CONVOCAÇÃO PLENARIA MAI 2026.pdf).



OBSERVAÇÃO: A participação on-line deve ser realizada inserindo o nome completo e utilizando a palavra chave: Código de Acesso: ibohyk


Chapecó, 06 de maio de 2026.

Executiva do SINDTAE

 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Relato de reunião nova Executiva SINDTAE e Gabinete do Reitor

 

Na tarde de quarta-feira, 15/04/26, a nova Executiva do SINDTAE realizou uma reunião de trabalho com o Gabinete do Reitor da UFFS para tratar de pautas de interesse da categoria, a partir de solicitação da entidade através do Ofício nº 2/SINDTAE/2026, de 05/04/2026. 

Representaram a Executiva os Coordenadores Gerais Guilhermo Romero, Paulo Roberto Perondi e Rodrigo Stolben Machado; o Coordenador de Comunicação e Formação Política e Sindical, Célio Roberto Zukovski; o Coordenador de Secretaria Geral, Marcelo Karol Galvão de Meira; e os suplentes de qualidade Ademir Luiz Bazzotti, Alexandre Luis Fassina, André Luiz Bonfada e Giuliano Kluch. Também participou o assessor jurídico do SINDTAE, o advogado Erivelton Konfidera. Além do Reitor João Alfredo Braida, acompanharam a reunião o Pró-Reitor de Gestão de Pessoas, Sérgio Benigni, e o Chefe de Gabinete do Reitor, Diego Palmeira Rodrigues. 


Da esquerda para a direita: Sérgio Benigni, Diego Rodrigues, João Alfredo Braida, participantes de forma remota, Alexandre Fassina, Paulo Perondi, Erivelton Konfidera e Ademir Bazzotti


Inicialmente foi realizada uma rodada de apresentação da nova Executiva, que foi eleita e tomou posse em 01/12/2025, pois essa foi a primeira reunião dos novos dirigentes da entidade com a Reitoria da UFFS. Em seguida foram tratados os seguintes pontos de pauta, os quais por se tratarem de temas com abordagem extensa, estão publicadas como notícias complementares com detalhamento da contextualização e encaminhamentos de cada um: 

1) Implementação da NR 1 (Saúde mental); 

2) Apoio para intermediar cumprimento do Termo de Acordo nº 11/2024; 

3) Implementação de turnos contínuos (AAFLEX); 

4) Dimensionamento; 

5) Política de Mobilidade dos servidores e Outros assuntos afins. 

Importante destacar que o entendimento da Executiva do SINDTAE é de que todos os pontos possuem aspectos que perpassam entre eles, em maior ou menor grau, pois o encaminhamento de um pode incidir nos demais. 

Conforme pode ser observado no detalhamento de cada ponto, esta primeira reunião da nova Executiva do SINDTAE se constituiu de um encontro que buscou resgatar de forma aprofundada as pautas da categoria, no intuito de estabelecer todo o cenário atual. 

A Executiva do sindicato entende que foi um momento de diálogo importante, e uma vez já tendo sido realizada essa apresentação detalhada, agora os próximos movimentos devem estar voltados para a consolidação específica de cada pauta. Consoante a isso, chamamos a toda categoria que continuem acompanhando os desdobramentos, e, caso se fizer necessário, participem das mobilizações que forem chamadas para avançarmos na luta para melhores condições de atuarmos no objetivo de contribuirmos para que a UFFS atenda efetivamente os objetivos de ser uma universidade pública de qualidade e popular.


Implementação da NR 1 (Saúde mental): relato da reunião com o reitor

 1) Implementação da NR 1 (Saúde mental)

1.1 Contextualização: 

O assessor jurídico Erivelton apresentou breve histórico sobre os cenários que motivaram a atualização da legislação, destacando a resistência histórica de se reconhecer a saúde mental como uma doença causada pelo trabalho. Descreveu alguns dos principais aspectos legais que entram em vigência a partir de maio de 2026 com a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que estabelece as diretrizes gerais e campos de aplicação das NRs de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) no Brasil. Ela obriga a iniciativa privada e o serviço público a implementarem o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), incluindo, a partir de maio de 2026, a gestão obrigatória de riscos psicossociais.

Considerando que doenças psicossociais passam a ser consideradas como fatores de risco aos trabalhadores, Erivelton destacou que a UFFS deve se preparar para o atendimento da NR 1, principalmente com a elaboração e implementação de um Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR): Documento obrigatório que contém o inventário de riscos e o plano de ação. Este PGR deverá considerar também a gestão de riscos psicossociais como estresse crônico, assédio e sobrecarga de trabalho no PGR, dentre outros aspectos. 

Nesse sentido, a Executiva do SINDTAE demandou que esse Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) tivesse a participação de representação da categoria TAE em sua elaboração. A intenção é que o PGR permita mecanismo de oitiva da categoria, no intuito de localizar setores e/ou atividades que impliquem em fatores de risco psicossocial, bem como traga previsão de medidas que objetivem tratar dessas situações. E, principalmente, se constituindo como um Programa de enfrentamento a causas de adoecimento mental de servidores da UFFS. 

O Pró-reitor Sérgio Benigni relatou que na Gestão de Pessoas, através da Diretoria de Atenção à Saúde do Servidor (DASS), já existe um movimento de elaboração de proposta de Política para a gestão de riscos, porém atualmente ela ainda está pendente de contemplar alguns dos novos aspectos previstos na NR1, como riscos psicossociais. O objetivo é que essa Política posteriormente seja operacionalizada através do Programa de Gestão de Riscos. Indicou também que a gestão precisa se apropriar dos elementos da normativa que incidirão em adequações na regulamentação interna.


1.2) Encaminhamentos: 

Ficou acordado que a Executiva do SINDTAE enviará e-mail para a PROGESP, formalizando a solicitação de representação da categoria na elaboração do PGR da UFFS. Também será sugerido que a PROGESP entre em contato com a SINDUFFS, de modo aos docentes também serem representados nesses processos. 

Apoio para intermediar cumprimento do Termo de Acordo nº 11/2024 - relato da reunião com o reitor

2) Apoio para intermediar cumprimento do Termo de Acordo nº 11/2024

2.1) Contextualização: 

A Executiva do SINDTAE fez um breve histórico dos pontos do Termo de Acordo da greve de 2024 que a categoria entende estarem pendentes de resolução, principalmente quanto à implementação efetiva do RSC para toda categoria, incluindo aposentados e pensionistas, racionalização dos cargos, reposicionamento de aposentados, jornada de 30 horas semanais, dentre outros. Apresentado os principais pontos, foi perguntado ao reitor Braida como a ANDIFES tem se manifestado e/ou participado desse debate. 

Professor Braida relatou que teve a oportunidade de participar de encontros da ANDIFES e CONIF com o ministro Camilo (MEC) e a ministra Esther (MGI) em duas oportunidades, sendo que as entidades representantes dos dirigentes sempre se manifestaram na forma de apoiar as reivindicações dos TAEs. Mencionou também que apesar da série de argumentos colocados nos diálogos, o MGI tem se demonstrado difícil de alterar alguns dos posicionamentos que tem aplicado. Braida informou que a ANDIFES continua acompanhando a matéria, e procura pressionar politicamente para melhorar os encaminhamentos, porém também não tem obtido os resultados que gostariam.

O pró-reitor Sérgio relatou que no âmbito do FORGEPE da ANDIFES o debate tem se dado de forma semelhante, sendo que as dúvidas que a categoria tem com a implementação do RSC também estão presentes naquele fórum. Ressaltou que tem sido importante o diálogo entre a categoria e as gestões das IFES, pois isso permite trabalhar em encaminhamentos conjuntos. 

Acerca da racionalização dos cargos, Braida informou que em 2024 a UFFS teve 5 códigos de vagas TAEs recolhidos, de cargos que não é mais possível realizar concurso. A UFFS foi informada que receberia de volta as 5 vagas, porém até o momento o MEC ainda não enviou os códigos, o que tem prejudicado a possibilidade de realizar novos concursos.

Já sobre as 30 horas para toda categoria, disse entender a demanda, entretanto ressaltou que com a aprovação da Lei em 30 de março entende que o debate terá de ser realizado por dentro do MEC, para que sejam avaliadas as condições de interpretação específica do que consta na normativa superior. Mais detalhes sobre a AAFLEX foram remetidos para serem abordados como ponto de pauta específica.

Em seguida, a Executiva do SINDTAE abordou a questão da implementação do RSC para os TAEs da UFFS. Ressaltou que até o momento foi estabelecido um bom diálogo com a PROGESP, tendo sido constituído um GT com representação da gestão, SINDTAE e CIS para pensar nos encaminhamentos posteriores dos fluxos e trâmites institucionais. A Executiva solicitou ao reitor que esse tema fosse considerado prioritário quando consolidada a publicação do decreto, de modo a que as direções/chefias de setores fossem informadas da importância de que principalmente durante o período inicial será necessário alocar diversos servidores nos trabalhos de análise dos requerimentos. 

Sobre esse tema, o pró-reitor Sérgio relatou que no âmbito da PROGESP também existe a preocupação com os trâmites que o RSC vão demandar, pois os servidores estão com sobrecarga de trabalho e pressionados por diversas demandas, inclusive para atendimento de questões judiciais, as quais têm origem em interpretações divergentes, muitas vezes geradas nas regulamentações de órgãos governamentais a serem aplicadas nas IFES. Ele compartilha o entendimento de que os trabalhos da comissão de análise serão maiores no início, demandando apoio de mais servidores, sendo que posteriormente ela poderá ser constituída com um número menor de membros de modo a atender as demandas em um fluxo contínuo. Destacou que para além da primeira etapa de análise e deferimento pelas comissões, depois haverá todo o trabalho de consolidar o encaminhamento dos trâmites para pagamento. E que a intenção é de considerar referência para possíveis retroativos a data de deferimento dos requerimentos, como estabelecido na Lei, mesmo que isso implique em aguardar tempo posterior conforme condições de trabalho na PROGESP. 


2.2) Encaminhamentos: 

Ficou acordado que as entidades representativas (SINDTAE e CIS) continuarão trabalhando em conjunto com a PROGESP, buscando atender a demanda da categoria da forma mais célere possível, resguardando os aspectos legais atinentes à matéria.

Complementarmente, após a reunião foi divulgada a minuta de decreto que o MEC enviou para ao MGI, estabelecendo a implementação do RSC. Embora ainda não seja a versão definitiva, pois pode sofrer alterações no MGI, o documento pode ser consultado aqui: Analise MEC_Regulamentação RSC-50-60

Aproveitamos para disponibilizar novamente link para ferramenta elaborada por membro da Executiva do SINDTAE, que permite consulta das portarias e resoluções publicadas no âmbito da UFFS: Busca de Atos para RSC

Implementação de turnos contínuos (AAFLEX) - relato da reunião com o reitor

 3) Implementação de turnos contínuos (AAFLEX)

3.1) Contextualização: 

A Executiva do SINDTAE iniciou esse ponto resgatando o quanto ele é importante para a categoria, se constituindo já como pauta histórica na UFFS. Foram relembrados elementos como o termo de acordo assinado entre SINDTAE e Gabinete em 2024, que traz em alínea da Cláusula 17: d) a administração realizará, até outubro de 2024, encaminhamentos referentes à Flexibilização da Jornada de Trabalho no âmbito da Universidade. Outro documento é o relatório elaborado pela comissão instituída para elaborar subsídios para implementação dos turnos contínuos na universidade, o qual indica diagnóstico de setores que estariam aptos a atuarem por no mínimo 12 horas para atendimento dos estudantes. Nesse sentido, o reitor foi questionado sobre quais setores seriam e quando começaria a efetiva implementação desses turnos. 

Braida informou que o tema foi objeto de pauta em reunião de gestão na última segunda-feira, dia 13/4. Ressaltou que seu entendimento é de que os turnos contínuos não serão implementados a partir de “um canetaço” do reitor, pois a gestão quer assegurar um mínimo de unicidade institucional na aplicação da matéria. Explicou que o relatório produzido pela comissão traz diversos elementos importantes, porém também demonstraria que são necessários alguns ajustes nos encaminhamentos, pois avaliam que a lógica inicial não contemplaria uma isonomia de tratamento a todos.

Aproveitou para destacar que a partir da publicação da Lei Nº 15.367, em 30 de março, ela traz dificuldades muito grandes para que os serviços prestados no âmbito da Reitoria possam ser enquadrados para serem realizados em turnos contínuos, considerando suas particularidades.

Já para os campi, destacou que, a partir das últimas reuniões administrativas, identificaram ajustar a metodologia de análise dos casos, na busca de utilizar como referência mais os serviços que são prestados/realizados do que apenas como estão constituído os setores da UFFS, com uma grande diversidade de configuração entre os campi. Reforçou que o posicionamento da Reitoria é por implementar os turnos contínuos buscando superar problemas identificados por ocasião do PGD. Referenciou o exemplo de que setores com mesmas atribuições de atuação tem possibilidades diferentes de teletrabalho, a depender do campus.

Citou exemplo simples das bibliotecas, em que há campus com apenas 2 servidores lotados, o que inviabilizaria a implantação de turnos contínuos, e isso gera dificuldades que precisam ser ajustadas para assegurar o objetivo da Reitoria que é de tentar garantir uma unicidade organizacional na instituição. 

Nesse sentido, informou ser necessário mais tempo para organizar a construção de acordos internos de gestão, de modo a resolver vários aspectos que possam gerar uma discrepância de tratamento entre setores e/ou campus.

A partir desse relato, a Executiva do SINDTAE se manifestou de forma enfática que vê problemas em postergar por ainda mais tempo a implementação dos turnos contínuos, remetendo também ao fato do que constava no termo de acordo da greve. Embora considerando que a gestão deu encaminhamento com a criação da Comissão que elaborou o relatório, isto não se configura suficiente se não houver encaminhamentos mais efetivos. Erivelton comentou que é importante que a Reitoria trabalhe no sentido de objetivar melhor quais são os reais impedimentos, e para os setores que já demonstram cumprir as condições necessárias para a implementação ao menos proporcionar etapas que permitam recolher subsídios de avaliação do funcionamento por 12 horas, sempre no interesse do melhor atendimento ao público abrangido. A Executiva mencionou que esses adiamentos em uma definição podem ser comparados à estratégia adotada pelo MGI por ocasião da implementação do RSC, por exemplo. 


3.2) Encaminhamentos: 

Após extenso debate sobre a matéria, o Reitor Braida informou então que a AAFLEX será objeto de pauta de reunião administrativa com a gestão e direções de campi no mês de maio, ocasião em que será apresentada uma proposta de metodologia de implantação e de regulamentação, garantindo um mínimo de unicidade organizacional na UFFS. 

A Executiva do SINDTAE comunica que estará acompanhando esses desdobramentos até o mês de maio e, caso necessário, acionará a categoria para que sejam realizados novos movimentos de mobilização para avançarmos nessa pauta.